segunda-feira, 27 de julho de 2009

Caminhos.

- [...] São prisioneiros do seu medo...
- Porque é que têm medo?
- Porque pensam ter-se enganado no caminho. Por isso, censuram-se e têm saudades de uma vida que nunca existiu. [...] É frequente as pessoas terem medo da felicidade. Ainda que a tenham em frente ao nariz, não estendem a mão para a agarrar. A felicidade assusta mais do que os papões.

("Tobias e o Anjo", de Susanna Tamaro - um livro dos finais da infância que reensinou alguns supostos conceitos-base, bem a propósito.)

sábado, 11 de julho de 2009

Férias.

Férias do mundo dos crescidos, no dos mais felizes.
A minha vida é agora, o meu lugar é aqui... e ali.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mãozinha.

Como devem ter percebido, nomeadamente através da minha ausência bloguística, não foram tempos fáceis, estes pertencentes a um passado muito recente. Aliás, não sei se esses tempos sequer existem, mas não é relevante, agora.
Deixem-me, apenas, dizer-vos o quão sortuda me sinto.

Eu não sou mais nem menos que os outros, mas como vejo o egoísmo como uma grave doença do mundo contemporâneo e procuro caminhos para a minha conduta pessoal o mais afastados possível deste, acabo por ser directamente confrontada com a necessidade de reparar os estragos causados pelo egoísmo dos outros. E não levem isto como um discurso da vítima, pois nem sou eu que o digo!
A verdade, é que isto se torna mais explícito em momentos de maior pressão e cansaço injectados no ambiente que me rodeia e que leva as pessoas incluídas nele a terem mais dificuldade a combater a peste egocentrista. Estão a ver? Se sim, conseguem compreender a articulação deste incremento da peste com a minha maior carga de trabalho para a manutenção de um espaço agradável.
Posto isto, muitas vezes acabo por ter grandes dificuldades em terminar a arrumação do meu terreno privado, tal a preocupação com o espaço comum, e isto acaba por me esgotar, enquanto ser humano normal, nem mais, nem menos que os outros.
Basicamente, foi isto: esgotaram-me e andei esgotada.

Então, porque raio é que eu me me sinto sortuda?
Incrivelmente, tudo correu bem, isto é, apesar de nem tudo ter parecido correr bem, os resultados de todo o trabalho têm-se revelado realmente positivos, mais até do que na fase anterior de tempos difíceis, não tão difíceis quanto estes, mas também não com tão bons produtos finais.
Percebem agora?

Sabem o que vos digo? Há mesmo uma mãozinha a puxar os cordelinhos de todos os lados para que sejamos recompensados pelo esforço de fazermos a nossa parte na contribuição do bem comum.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mundos.

Não acredito que entrei no mês de Junho e nem senti... Acham isto normal? Nem o dia da Criança me fez despertar deste sono num mundo paralelo académico!

Por falar em mundo paralelo, hoje pensei... e pensei, e pensei, nas horas em que estive à espera no hospital, e cheguei à conclusão de que o dia 3 de Junho de 2009 me apresentou dois mundos: aquele onde as coisas correm como devem de correr; aquel'outro onde as coisas correm todas como não devem de correr, ou seja, mal.
Por acaso, por um azar enorme, ou por falta de jeito minha para enveredar pelo mundo correcto, eu hoje vivi no segundo mundo.

Desejo para amanhã: regressar ao mundo onde as coisas correm como devem de correr.

sábado, 23 de maio de 2009

Amizades (III).

No processo de construção da amizade, constrói-se um plano de expectativas, baseado naquilo que julgamos conhecer do outro, a quem chamamos de Amigos.
A verdade é que os nossos amigos esperam algo uns dos outros; os amigos esperam que os seus amigos sejam amigos, não sentem simplesmente vontade de ser amigos dos amigos.

De facto, os Humanos são estranhos: só se dão quando existe uma moeda de troca! Mesmo em algumas das mais belas amizades.

Abrir Parêntesis. Hoje fez anos uma rapariga que foi minha colega dos 3 anos até ao 12ºano, sem paragem, e que entrou na mesma faculdade que eu no meu primeiro ano de caloira, antes de decidir mudar de curso. Foi aquela a que posso chamar de verdadeira Colega-de-Sempre.
Ainda que nunca tenhamos sido as melhores amigas, tal era a competição unilateral que estabelecia comigo, ou consigo própria passando por mim, foi giro que olhei para o telemóvel no momento em que passou para as 00h00 e para o dia 23 de Maio e instantaneamente me recordei dela e lhe enviei um sms, ao qual respondeu prontamente. Não sei porquê, senti-me bem; senti que ficou mais do nosso relacionamento de anos do que aquilo que eu algum dia julgara! Fechar Parêntesis.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Enterro do Caloiro.

Foi durante as praxes que as pequenas caloiras cruzaram os primeiros olhares entre elas. Tudo fazia prever que aquele grupo tão diferente e competitivo brevemente entraria em choque... e assim foi.
Porém, juntas rastejaram, cantaram, reclamaram, dançaram, encantaram e aguentaram... Até que os trabalhos começaram a ser pedidos, as apresentações comparadas, ideias copiadas e as avaliações a sair. A competição é lixada, mesmo! Então, quando está tudo com o cansaço à flor da pele, nem queiram imaginar o tamanho que o nosso ego pode revelar...
Ainda assim, algo foi sendo construído - uma turma: com as suas características muito específicas, mas um relacionamento - mais ou menos pacífico - entre todas as pequenas caloiras... que deixam de ser caloiras!

Uma festança de pinguins, onde muitas memórias do longo ano - que ainda não terminou - ressurgiram e foram relembradas, com um sorriso e, para algumas, com uma lágrimazita no cantinho do olho. Ao som da tuna, os corpos são embalados em sintonia... e os copos na mão ajudam à grande festa da amizade!

Será que quando se enterra o lado caloiro, não se pode enterrar conjuntamente aquel'outro competitivo egocêntrico?

Please, give me a break! Sou alérgica a este tipo de competição.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Semi-Verão.

Já me começou a cheirar a Verão. Sabem o que é que isso significa? Vontade de não fazer nada.

É estranho, mas passo o ano a desejar ter tempo para tantas outras coisas - aquelas que gostaria verdadeiramente de fazer, mas que as obrigações não mo permitem sempre - e quando finalmente o tenho, deixo-me invadir por uma qualquer-coisa que me desacelera o cérebro e os membros... e paro.
Sem dúvida que Verão também é sinónimo de praia e férias e afins; mas algo que o caracteriza muito, para mim, são os passeios pela casa vazia, pela manhã, quando uns já saíram para o trabalho e outros ainda dormem, descalça e perdida nos meus próprios pensamentos, falando sozinha... sentindo-me vazia.

Não gosto nada daquela sensação de desocupação, estúpida desocupação, de arrastamento pelos dias, envolvida pela inércia, de sol a sol. E tento combatê-lo!, claro - umas vezes com maior e outras com menor sucesso.
O Verão passado consegui-o muito bem: não parei em casa. Foi fantástico ter ido do final das aulas para a Praia da Galé (monitora de colónia de férias); daí para Braga (visita desejada durante todo o ano aos "tios & primos"); de lá para a Cidadela (ensaio com o conjunto, eu e as minhas baquetas); voltei para casa, mas com a missão-Lisboa (guia turística para uns amigos americanos); rapidamente, parti para Loppiano, Florenza (escola de vida); regressei à minha zona, mas para a casa da amiga (família ainda no Algarve, tempinho com uma das melhores); família regressada, todos para Fátima (Mariápolis Férias também muito aguardada); uma noite em casa e voámos para London (férias familiares, finalmente); regresso final a casa, com a pré-época em força (treinos de basket a toda a hora). Ufff... Nos intervalos, não passei 5 dias seguidos em casa!
Acho que me saí bem e que tenho de repetir a dose este ano para evitar buraquinhos no estômago...

Porém, ainda não é Verão! Bolas: ainda tenho aulas, testes, apresentações e entregas de trabalhos. Como é posso sentir este cheiro a Verão? Pior - como é que posso sentir aquela inércia da desocupação com tanto para fazer?
Esta manhã não tive aulas. Tentei dormir até mais tarde, mas acabei acordando com as obras. Pensei em trabalhar, mas o silêncio da casa vazia à média-luz para espantar o calor chamou por mim... e caminhei, descalça, perdida nos meus pensamentos, até ao vaziozito mais próximo.

Um bom banho deve combater o adormecimento.