quarta-feira, 3 de março de 2010

Saudades... dos 20.

Bom dia, 21º aniversário. - sem entusiasmo.

O que eu queria era poder dizer "Bom dia, família! Bom dia, amigos!". Incrivelmente - especialmente, para quem me conhece -, tenho saudades... profundas, fortes e inegáveis saudades.

Hoje preciso de espinafres; se dão força ao cowboy, porque não a mim?



Hoje queria Lisboa.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Almost 21.

A vida de erasmus não é fácil. Estão-se a rir? Não é mesmo.
Não pensem que isto é só festa e pessoas novas e essas aldrabices... Não! Também temos muitas aulas - isto não acontece a todos, mas aconteceu-nos a nós -, temos de tratar de refeições, temos de fazer compras, temos de gerir o dinheiro, até as festas temos de gerir e as pessoas - porque, às tantas, tudo começa a bater mal de tanta convivência tantas horas!

Não, não me estou a queixar; estou a dizer que não é fácil.
Olhem, tanto que não é fácil que já não escrevo nada aqui há uma série de tempo! E tanta coisa aconteceu entretanto...

A minha família esteve cá e eu visitei a cidade de Lublin, Krakow e um dos campos de concentração de Auschwitz; houve o City Tour para os estudantes de erasmus e lá fui eu de novo visitar a cidade de Lublin, mas também os arredores, dando uma vista de olhos pelo campo de concentração de Majdanek; limpando a fundo o quarto, encontrámos tanta, mas tanta porcaria...; caí a tentar patinar no gelo e fiquei com uma bolha e agora uma ferida que me dura há uma semana e meia; alterámos a logística de divisão de despesas aqui entre as minhas colegas porque a antiga não estava a funcionar; lavámos a roupa em máquinas que nunca tinha visto antes, que são de um tempo antigo; fui apanhada por dois senhores polícias de preto por ter atravessado a estrada num sinal vermelho; tive as primeiras aulas; tudo isto para além das já sabidas festas e dos convívios.

Falar-vos-ei mais detalhadamente sobre isto, em breve - espero eu.

Agora, quero é partilhar que faltam dois dias para o meu 21º aniversário e que é nesta lufa-lufa que ele acontecerá, longe da minha família e dos meus amigos mais próximos, agora distantes. Acordei há uma hora e estou à espera da minha colega de quarto para sairmos, mas nem me apetece acordá-la: precisava deste tempo para mim.
A vida de erasmus não é fácil.



Estou em Lublin, na Polónia.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

I Arrived!

- Mas quem é que se esquece do bilhete de avião e se lembra apenas a caminho do aeroporto?

Esta era a pergunta que não parava de ecoar na minha cabeça quando, na terça-feira de manhã, estava a voltar para trás, após uma meia hora de trânsito, o que significava quase um atraso. Felizmente, tudo correu bem e - lá estava eu -, já no avião, não consegui descansar nada.
A viagem do aeroporto de bus até à estação de comboios e depois de comboio até Lublin, foi uma verdadeira aventura, de 7 raparigas com o triplo - ou mais! - malas, quase todas muito pesadas, mas cá chegámos.

Então, a primeira noite foi mesmo agradável, num ambiente muito familiar. Novo país, nova língua, novas palavras, novas comidas, novas amigas... novo sono!
Na manhã seguinte, lá nos dirigimos até à residência, onde encontrei a minha mentor e os das minhas colegas e outro pessoal de erasmus - a maioria espanhóis! Seguiu-se uma refeição entre pequeno-almoço e almoço - não sei bem! -, compras, arrumar o quarto, tentar socializar e descansar, cozinhar, jantar e... sair.
Primeira saída em erasmus? Nice & relaxed.

Tempo de descanso: amanhã começa o nosso programa como alunos estrangeiros, onde nos vão apresentar a universidade e a cidade. Veremos.


Estou com um pé na Polónia e outro em Portugal.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Home.

Estou no meu quarto. Sentada em cima da cama, pernas cruzadas e portátil pousado sobre estas. Mantenho uma luz fraca acesa, como se fosse uma luz de presença que impede que o único denunciador d'A-Mi-Ainda-Acordada seja o som dos dedos a pressionar as teclas.
O barulho das pingas a bater nos parapeitos simula um prolongamento suave da chuva; de resto, reina o silêncio, mas um silêncio... vazio.

Olhando à minha volta, o meu quarto parece-me... despido.
A minha secretária está incrivelmente arrumada e organizada porque pouco ou nada tem sobre ela, a não ser o candeeiro e umas latinhas com algumas canetas e outras coisas - que eu nem sei bem -; tudo o resto, ou levo comigo, ou mudou de lugar na profunda arrumação que tive de fazer antes de começar a pensar o que tinha de colocar na mala e o que podia deixar para trás.

Cinco meses; são só cinco meses e tenho aquela sensação de mudança, mas em vez dos caixotes de cartão cheios de coisas, tenho umas três malas empilhadas à beira da cabeceira da cama... e ainda muita coisa resta nas prateleiras, especialmente livros, bem como a guitarra que, apesar de estar arrumada e parecer pronta a partir, não me acompanhará na minha viagem - infelizmente.
Não fosse o limite de peso de bagagem e muito mais levaria, muito mais do meu quarto - o meu mundo -, como que reconstruído por uns meses noutro local geograficamente distante; mas há o limite.

Fotografias: levo algumas e aposto que receberei muitas mais enquanto estiver por lá - desde já, obrigada a todos os que contribuíram -; serão colocadas nas paredes, em molduras, até no tapete do rato e no porta-chaves... Porquê?
Porque são as pessoas que me fazem sentir no meu mundo. Não é o quarto, em si, os móveis ou assim que o tornam tão seguro, tão meu; mas as pessoas.
As pessoas que estão nas fotografias, as pessoas que me deram os peluches, as pessoas que me escreveram dedicatórias nos espelhos, as pessoas que me ofereceram uma bola de basquete ou um botão gigante de cartão, até as pessoas que me ajudaram a pintar a minha parede de cor-de-laranja, as pessoas que já aqui dormiram, as pessoas que já aqui se sentaram a conversar, as pessoas que já me fizeram perder a noção do tempo enquanto representavam papéis principais na minha mente... as pessoas.


O meu quarto, o meu mundo, a minha história, a minha pessoa... são as pessoas e são estas que eu levo - de qualquer das maneiras, esteja eu onde estiver - comigo, sempre.
Amanhã não será excepção: preparem-se para o frio que amanhã também viajam para a Polónia.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Despedidas.

Com três dias apenas até à partida para a Polónia, tenho de vos falar dos melhores amigos do mundo: os meus.
Estes incluem também família.

Desde jantares planeados por mim para os diferentes cursos (actual e antigo), a jantares surpresa preparados por amigos e família (mesmo que já com desconfianças minhas), a almoços com um e outro, a tardes de compras (em grupo ou não), a lanches ajantarados entre primos (com direito a jogo de tabuleiro), a um barzinho para terminar a noite uma série deles para um pequeno rally.
Tudo parece uma desculpa para estarmos juntos, para conversarmos e rirmos, pelo tempo que não o fizemos durante o tempo de aulas. E sabe tão, mas tão bem...

Sabem, eu não sou muito uma pessoa de ficar com saudades, de estar agarrada a determinados amigos e, portanto, de sofrer muito com a distância deles; não, não sou. Mas, confesso, sei que tenho os melhores do mundo e que me farão uma falta especial nos próximos cinco meses...



"So close no matter how far
Couldn't be much more from the heart
Forever trusting who we are
And nothing else matters (...)"

Obrigada a todos; levo-vos comigo.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Amizades (IV).

Os amigos são para tudo e estão lá sempre. Mas... é mesmo assim?

Cada pessoa tem a sua vida, a azáfama do seu próprio quotidiano; e esta é só sua, só ela é que a compreende e sabe o quanto a desgasta e ocupa.
Paralelamente a isto, os amigos de cada pessoa têm os seus problemas e precisam que alguém esteja lá para si; por vezes, as dificuldades nem são nada fáceis de ultrapassar com companhia e ajuda, quanto mais sozinhos.
Porém, os amigos não estão; não, não estão sempre presentes e disponíveis; não fazem ideia dos problemas gigantes que cada pessoa enfrenta sozinha, porque... porque eles não estão.

Tratar-se-á isto de egocentrismo? De só se conseguir olhar para si?

Cá para mim, muitas vezes, os amigos não estão porque não sabem. Isto faz sentido? Claro que sim.
Na correria do dia-a-dia de cada um, há muitos tipos de conversas entre amigos - não? Bem, há aquelas mais de circunstância, as outras em que se relatam episódios por que passaram, ainda há umas que são puros momentos de atrofio e descontracção, depois há aquelas das queixas e das más-línguas e as outras que servem para debater os assuntos da actualidade, ou simplesmente fazer tempo.
Neste contexto, se uma pessoa tiver muito que fazer, responsabilidades nos ombros, prazos a cumprir, se calhar vai tender a não dispensar muito tempo com estas conversas...
Ora, se calha que, nessa altura, um amigo precise muito dessa pessoa, vai acabar por culpá-la por não estar e não lhe dar atenção e não o ter ajudado num momento difícil. Está certo.

Mas pensem comigo: se o amigo tivesse dito que tinha um problema... será que a pessoa não tinha arranjado tempo, mesmo no meio de um horário muito preenchido?


Os amigos, antes de poderem adquirir essa denominação, deveriam de tirar um curso de adivinhação. (Vou já inscrever-me!)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Obras.

Não há paciência! Estou de férias, bolas... Pior: estou mais ou menos de férias porque ainda me falta um exame. Qual é a vossa?

Qual é a vossa, senhores da instalação do Gás Natural? É que, para além de colocarem imensos tubos feios na minha cozinha e de a esburacarem um bocado, ainda fazem imenso barulho logo às 9 e tal da manhã e ainda partem e queimam coisas sem querer... É muito complicado; até martelam o seu próprio dedo e quase se esvaem em sangue - e tudo na minha cozinha!
Se o sistema fosse assim...

... de certeza que a instalação ocorreria com menos percalços; se bem que também teria os seus contras, mas isso não interessa agora - que eu queria dormir, uups, estudar!, e não me deixaram.

Para além disto, com a cozinha toda cheia de pó, de escadotes, de tinta branca suja nas paredes, de canos ferrugentos, de buracos no mármore... eu já só consigo pensar na minha cozinha antes destes episódios...

... qualquer coisa deste género. Bonito, hein?! E sabiam que eu adoro cor-de-laranja, ou é uma novidade?


MI: a Maior Idiota.